Paulo Freire inspira coreografia MARCHAS
Paulo Freire inspira coreografia MARCHAS, da Cia. Sansacroma, que estreia na Galeira Olido
“Eu morreria feliz, se eu visse o Brasil cheio em seu tempo histórico de marchas. Marcha dos que não tem escola, marcha dos reprovados, marcha dos que querem amar e não podem…” (Paulo Freire)
Na vida do filósofo e educador Paulo Freire a palavra “autonomia” sempre foi regra, e não exceção. A necessidade pela autonomia moveu-o, ainda criança, a iniciar sua própria alfabetização utilizando gravetos e escrevendo no chão, debaixo de uma mangueira. Essa condição de escolher as leis que regiam seu próprio destino é o que inspirou a diretora artística Gal Martins, da Cia Sansacroma, a criar o espetáculoMARCHAS, que estreia dia 02 de fevereiro de 2012 na Galeria Olido (Av. São João, 473, Centro, São Paulo). A temporada tem entrada franca e vai até o dia 05 de fevereiro.
Contemplado pela 10ª Edição do Programa de Fomento à Dança para cidade de São Paulo, o projeto MARCHAS, homônimo ao espetáculo, inclui outras ações que vão além da pesquisa e montagem da coreografia, como a formação de público, através das ações de agentes que articularam a solidificação de uma plateia que frua a dança contemporânea com mais regularidade. Gal Martins fala sobre: “Para a companhia, não há produção de obra artística sem pensar no público que vai desfrutá-la, e esse diálogo direto e educacional com a comunidade é essencial. Como já dizia Solano Trindade: ‘É preciso pesquisar nas fontes de origem e devolver ao povo em forma de arte’”.
Marchas fecha a trilogia Militantes do Ideal
A trilogia Militantes do Ideal tem como mote de pesquisa a militância de personalidades que lutaram em prol da justiça e da igualdade social, como Solano Trindade e Patrícia Galvão, a Pagú. Desse estudo, nasceram os três espetáculo que compõem a trilogia:Solano em Rascunhos (2008) Angu de Pagú (2010) e agora esse Marchas (2012),sobre o pensamento e obra de Paulo Freire, que encerra a investigação sobre homens e mulheres que tentaram e conseguiram, com suas trajetórias, mudar o olhar sobre a causa pela qual militavam. A ideia, segundo a diretora Gal Martins, não é vê-los como heróis, e sim, como pessoas comuns que vivenciaram intensamente uma luta pessoal pelo coletivo: “Escolhi o nome ‘Marchas’ para o espetáculo que fecha essa trilogia porque evidencia exatamente o tipo de provocação que a companhia pretende ter como postura artística”, sintetiza a diretora.
A trajetória de Freire sempre chamou a atenção de Gal Martins. As várias contradições encontradas na história do filósofo e educador instigaram a artista. Frases como “Marx para o agora e Jesus para eternidade“, alimentaram a inspiração para um espetáculo. “Paulo era um católico praticante e também marxista, na minha cabeça isso é algo difícil de entender, mas ao mesmo tempo encantador. Considero-me Freiriana em todas as minhas ações, como cidadã, artista, mãe, filha e educadora”, explica a diretora.
O espetáculo – O homem em busca de sua completude a partir da admissão de sua essência
O pensamento acima é do diretor coreográfico Ivan Bernardelli e, segundo ele, concentra toda a criação estética e dramatúrgica do espetáculo.
No palco, sete intérpretes-criadores, todos integrantes do elenco fixo da Cia Sansacroma, que tem sede na região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. O processo de investigação durou seis meses, envolvendo pesquisa em livros, linguagem e estética corporal, e laboratórios de criação.
A cenografia põe no palco, em algumas coreografias, terra, elemento que serviu como base para a alfabetização de Paulo Freire, pois foi desenhando no chão, com gravetos, que aprendeu as primeiras letras. Sacos de areia, pendurados, invocam as obras de Ernesto Neto, artista carioca contemporâneo, que cria obras que se situam entre esculturas e instalações.
Os figurinos, assinados pela artista plástica Mariana Farcetta, Ivan Bernardelli e Gal Martins, terão uma aparência de peças gastas, “pelo tempo e pelas lutas”, como define o trio.
Ficha Técnica
Direção Artística: Gal Martins Direção Coreográfica: Ivan Bernardelli Coreografias: Gal Martins, Ivan Bernardelli e elenco Assistência de Direção Cênica: Siva NunesPreparação Corporal: Ivan Bernardelli Figurino: Mariana Farcetta Trilha Sonora:Cláudio Miranda Cenário: Gal Martins, Ivan Bernardelli e Mariana Farcetta Pilates:Priscila Lima Intérpretes Criadores: Cléia Varges, Daiana Rodrigues, Rodrigo Cândido, Thiago Silva, Mazé Soares, Marcela Teixeira e Welton Silva Arte Gráfica: Welton Silva Fotógrafo: Edê Hohne
Serviço “Marchas” – Temporadas
Local: Galeria Olido – Avenida São João, 473 – Centro – Tel (11) 3331-8399 e 3397-0171
Dia e horário: De 02 a 05 de fevereiro de 2012 – de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h
Entrada Franca (retirar ingressos com uma hora de antecedência)
Duração: 55 minutos
Classificação: 16 anos
De 25 de Fevereiro à 18 de Março no Ninho Sansacroma, aos sábados às 21h e domingos às 19h - Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 – Parque Maria Helena – Capão Redondo – (100 m do metrô Capão Redondo – Linha Lilás) – (11) 5511-0055 -ninhosansacroma@gmail.com
Apresentações de Outubro da Cia Sansacroma.
Enquanto a produção do último espetáculo da Trilogia Militantes do Ideal está a pleno vapor no Ninho Sansacroma, os espetáculos “A Máquina de fazer falar” e “Angu de Pagu” estão em circulação pela periferia da Zona Sul de São Paulo, onde sua sede está localizada e também nas demais regiões paulistas.
Abaixo a programação para este mês:
18/10 – MOSTRA CULTURAL DA COOPERIFA
Espetáculo: A Máquina de fazer falar
Horário: 20h00.
Local: Escola Estadual Octalles Marcondes Ferreira
Rua Dança de Anitra,1. Jardim Vaz de Lima.
21/10 – MOSTRA DE DANÇA MONTE AZUL
Espetáculo: A Máquina de fazer falar
Horário: 21h00.
Local: Centro Cultural Monte Azul
Avenida Tomás de Sousa, 552. Jardim Monte Azul.
03/11 – UNIFESP – CAMPUS GUARULHOS
Semana da Resistência Cultural
Espetáculo: Angu de Pagu
Horário: 18h00.
Local: Unifesp Campus Guarulhos
Estrada do caminho velho, 333. Bairro dos Pimentas. Guarulhos.
Em breve mais informações sobre a agenda da companhia e o processo do espetáculo sobre Paulo Freire, com estreia prevista para fevereiro de 2012.
Continuem participando!
Abaixo segue algumas fotos da temporada do espetáculo A Máquina de Fazer no CCSP – Semanas de Dança – Públicos
Fotos: Ede Hohne
Este slideshow necessita de JavaScript.
8 semanas de arte e pesquisa
Evento no CCSP apresentou 25 espetáculos, além de palestras e workshops
.jpg)
Nascido de uma associação entre as curadorias de dança e educativa do Centro Cultural São Paulo, pretendeu buscar outros públicos, diferentes daquele que já sai de casa para assistir à dança. Exibiu três espetáculos a cada noite e ofereceu ações de formação: um encontro entre o artista e os interessados no seu trabalho, cinco palestras junto ao projeto Professor no Centro, e três montagens para o público infantil. Ou seja, testou a hipótese de que o alargamento da programação, associado ao contato com as atividades de formação propostas, contribuiria para a desejável ampliação de público – o que um evento dessa natureza não consegue tornar visível.
Tomemos como exemplo o programa que reuniu Paula Pi, Eduardo Fukushima e a Cia. Sansacroma, cuja lógica de juntá-los expressa o entendimento de que a reunião de produtos distintos opera uma democratização do acesso por si mesma.
Notas Sobre a Minha Mãe – Opus 2 foi o terceiro trabalho de Paula Pi sobre o tema que tem lhe instigado: a relação mãe-filha. Três anos atrás, ela apresentou o primeiro, Quando Ando em Pedaços ou Notas Sobre a Minha Mãe, na mostra anual que João Andreazzi realiza no Lugar. E no mês passado, produziu uma nova versão dele no hoje desativado Teatro da Dança. Os dois primeiros estão ligados pelo material coreográfico inspirado na vida e na obra de Adelina Gomes, uma paciente psiquiátrica de Nise da Silveira que trabalhou a figura materna nas mais de 17.500 obras (pinturas, desenhos e esculturas) que criou no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio. Já o terceiro, resultado da parceria com Clarissa Sacchelli, constrói-se mais explicitamente em torno da relação mãe-filha, fazendo da música, que Paula estuda desde os 6 anos, uma metáfora das questões problemáticas desse relacionamento.
A intérprete começa derrubando o “corpo” da música, para que ele deixe de reger o espaço. Mas será também necessário recuperá-lo, mais adiante, para o exercício que se impõe: o jogo entre o submeter-se e o submeter o outro que vai estruturar a obra.
A jovem Paula Pi surge para dar continuidade à importante linhagem das grandes intérpretes interessadas na construção de personagens com dança. Sua movimentação é clara e bem acabada, e com o talento que demonstra, aos poucos será adensada pelas nuances necessárias, hoje ainda ausentes. Os começos – e não somente os artísticos – tendem mesmo a ser pautados por muitas certezas e apenas a continuidade do fazer produz a dose certa de incompletude, necessária para a sabedoria do corpo.
A Cia. Sansacroma mostrou Máquina de Fazer Falar, direção e concepção de Gal Martins e coreografia, figurinos e adaptação de textos dela e dos sete intérpretes-criadores que compõem o elenco. Criado em 2002 por Gal e situado no Capão Redondo, o Ninho Sansacroma tem oito obras no seu repertório. A Máquina de Fazer Falar é o segundo resultado do projeto Fragmentos de um Choque, que já produziu As Lembranças de Auschwitz, dirigido por Siva Nunes. As produções nasceram de assuntos incisivos, sempre em torno dos preconceitos, como indicam seus títulos Negro por Brasil, (2002), Orfeu Dilacerado (2006) ou Solano em Rascunhos (2008, a partir do poeta Solano Trindade).
A atuação do Ninho no extremo sul da cidade de SP (Capão Redondo, Jardim Ângela, Jardim São Luiz e Campo Limpo) merece atenção pela relevância do que vem realizando. Focando na ausência de contato com a dança contemporânea naquela região, dedica-se a construir um trânsito permanente e de mão dupla entre os habitantes e a produção contemporânea, e os artistas desse segmento e a população local. Pela segunda vez realizaram lá, em maio, a mostra Circuito Vozes do Corpo, com espetáculos, workshops e debates.
A obra que a cia. dançou no Semanas dialoga com Produto Perecível Laico, que a Cia. Sandro Borelli estreou dia 23. Ambas fazem parte do Projeto Mão Dupla, que as duas companhias firmaram e que, evidentemente, propõe como reflexão que espécie de mão dupla é possível entre duas trupes de características profissionais distintas, que compartilham um mesmo interesse por assuntos contestadores da passividade da sociedade.
O importante a destacar não é a ainda fragilidade do que deseja ser contundente nessa criação, porque o fazer na continuidade vai promover algo nessa direção. Talvez o que caiba agora ponderar seja que tipo de política pública colaboraria para que isso acontecesse não somente com a Cia. Sansacroma, mas também para tantas outras que a ela se assemelham nas dificuldades trazidas pela geografia cultural na qual se inserem. Seu elenco empenhado, o profissionalismo de sua produção e a coerência do percurso que vem sendo construído pelo grupo trazem esperança de que as fronteiras que hoje ainda estão de pé podem ser flexibilizadas. Mas, para que isso aconteça, será necessário deixar de ignorar que tipos distintos de trabalhos pedem por formas específicas de tratamento por parte de programadores, curadores e, sobretudo, das políticas públicas de fomento.
Com relação ao público que assiste dança, a pergunta que cabe é a seguinte: encontra um cardápio diverso em um mesmo lugar colabora ou atrapalha com o refinamento da sua percepção?
Imagens do Circuito Vozes do Corpo
Vejam imagens do Circuito Vozes do Corpo através do olhar de Ede Hohne
Este slideshow necessita de JavaScript.
Assitam o vídeo do primeiro bloco do Programa Manos e Minas exibido no dia 15 de Maio, onde contém uma matéria realizada pela reporter Cris Gomes sobre o Circuito Vozes do Corpo:



![Imagem2 [800x600]](http://ciasansacroma.files.wordpress.com/2011/04/imagem2-800x600.jpg?w=600)

![Divulgação [1024x768]](http://ciasansacroma.files.wordpress.com/2011/04/divulgac3a7c3a3o-1024x768.png?w=600&h=424)